Hoje vou contar-te como saber, em menos de um minuto, se um sapato é realmente barefoot ou se simplesmente leva a palavra “barefoot” colada na caixa. E de caminho vais entender por que razão a espessura da sola não funciona como muita gente pensa… e o que vem fazer agora o grounding a tudo isto.
Como identificar um calçado barefoot real
1. Largura na parte dianteira
Começo pelo mais conhecido: “Um barefoot é um sapato largo”. Sim, mas a largura que importa está à frente. Olha para o teu pé descalço: abre-se na zona dos dedos. Agora olha para qualquer sapato convencional: terminam em ponta.
E o que faz a maioria das pessoas? Metem o pé num sapato que obriga os dedos a juntarem-se como num metro em hora de ponta e o dedo grande a inclinar-se para dentro. Isto é para se ver.
2. O drop (Zero Drop)
Segundo ponto: o drop. O drop é a diferença de altura entre o calcanhar e a parte dianteira. Em barefoot procuramos 0 mm ou muito pouco, normalmente até cerca de 4 mm.
Quando o calcanhar está elevado, já não apoias o pé da mesma forma do que estando descalço. E essa pequena mudança modifica a forma como se posicionam e trabalham tornozelos, joelhos, ancas e o resto do corpo.
3. Flexibilidade total
Terceiro ponto: pega no sapato. Torce-o. Dobra-o. Move-o. Se custar a fazê-lo… mau sinal. O pé tem articulações para se mover; se o sapato o encerra entre reforços e estruturas rígidas, pouco trabalho pode fazer.
A minha regra é simples: se consigo mover o sapato com as mãos em todas as direções sem aplicar muita força, o pé também o poderá fazer.
4. A sola: proteção sim, sobreproteção não
E chegamos ao ponto que pior se entende: a sola. Barefoot NÃO significa levar sempre 3 mm sob o pé. Significa usar a espessura mínima de que precisas para o que vais fazer. Para passear pela cidade, 3 ou 4 mm podem ser suficientes; para correr por uma montanha cheia de pedras, talvez precisada de 10, 15 mm ou mais. A questão é sentir o terreno e, ao mesmo tempo, sentir-te protegido.
Mas atenção: proteção sim, sobreproteção não. Porque uma sola enorme filtra informação de que o teu pé precisa:
- Saber se pisa uma pedra.
- Se o terreno se inclina.
- Se o chão é macio ou duro.
- Se tem de ajustar o apoio.
Quando metes uma sola enorme entre o pé e o chão, parte dessa informação desaparece. E um pé que não recebe informação tem menos capacidade para reagir, posicionar-se e adaptar-se. Por isso, procura proteger sem isolar.
Grounding ou Earthing: o que vem fazer a tudo isto?
Agora surge outro conceito: grounding ou earthing. Consiste em manter uma conexão elétrica com a Terra através de uma via condutora. Existem pequenos estudos com resultados interessantes sobre inflamação, circulação ou recuperação, mas a evidência ainda não permite apresentá-lo como um tratamento médico comprovado.
A mim interessa-me por algo muito mais simples: a eletricidade estática. Mais de uma vez toquei em algo metálico e… PAM!, faísca. Cuidado, cuidado… Quando existe conexão elétrica com a terra, essa carga pode descarregar-se.
Isso sim: para descarregar a eletricidade estática ou fazer grounding precisas de uma superfície que também permita a condutividade. O sapato sozinho não faz magia.
Modelos em destaque
Vivobarefoot Sensus II Grounding
Tem uma sola de apenas 3 mm, muitíssima flexibilidade e construção condutora. É para quem quer a máxima sensação de terreno no dia a dia.
Dada Oromo
Joga noutro campeonato: estética sneaker retro e sola flexível de 8 mm. Mais proteção, menos sensação extrema. Muito interessante se vens de calçado convencional.
Ao que ia: barefoot não consiste em retirar por retirar. Consiste em deixar entre o teu pé e o chão apenas o que realmente precisas. Não digas que não te avisei.
Sem dúvida.
A saúde começa nos teus pés.
— Antonio Caballo