Antes morta do que básica
Posted on1 Week ago
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Neste post vou contar-te o que me aconteceu no sábado com uma mulher, um andador e uns sapatos que diziam muito mais do que parecia. E, de caminho, vais entender por que razão por vezes o problema para caminhar melhor não está nos pés… Está um pouco mais acima: na cabeça.
No sábado de manhã estava pelo centro da vila a fazer algumas compras. Ao passar pela Câmara Municipal, ouço:
—Ouça, ouça!
Olho. Uma mulher faz-me sinais. Aproximo-me e, sem rodeios, diz-me:
—Olhe, ajude-me a descer por ali.
«Por ali» era uma pequena rampa no passeio. Daquelas que existem para passar com um carrinho de bebé, uma cadeira de rodas ou, precisamente, um andador.
A mulher teria setenta e muitos anos. Ia agarrada ao seu andador, mas a sua cara dizia outra coisa: lábios pintados, olhar desperto, e aquele tom afável, mas de comando, de quem está habituada a dizer o que quer.
Ajudo-a. Mas então olho para baixo e vejo os sapatos: com salto ou inclinação traseira. A inclinação fazia com que os dedos praticamente escapassem pela frente.
Não me consegui conter:
—Se a senhora usasse um calçado plano, iria muito mais segura.
A mulher olha para mim, levanta um pé enquanto continua agarrada ao andador e diz-me:
—Mas se são planos!
Fiquei a olhar para o sapato, e depois para ela. E pensei: "Antes morta do que simples."
Vemos o que queremos ver
E aqui está o interessante: aquela mulher era baixa e, seguramente, levava décadas a ver-se melhor com algum salto. Pões uns sapatos planos e, de repente, vês-te estranha, mais baixa, diferente, como se esses sapatos não fossem para ti.
E então surge algo muito humano: vemos o que queremos ver. Inclusive podes levantar um salto à frente de alguém e dizer: —Mas se são planos!
Não há pior cego do que aquele que não quer ver. Sem dúvida.
O termo médio necessário
Não creio que a solução para uma pessoa de setenta e muitos anos que leva a vida inteira a usar salto seja passar amanhã para uma sola de 4 milímetros. Isso seria trocar um problema por outro.
É preciso procurar um termo médio: um calçado largo, estável e com espaço para que os dedos não tenham de procurar a saída pela frente, mas também com alguma elevação traseira para proporcionar conforto e uma certa altura.
Lems Switchback Sandal
Agora no verão, umas sandálias com uma sola generosa e alguma elevação traseira para manter o conforto e a estabilidade.
Mustang Free Lona
Se preferes calçado fechado, estas lonas da Mustang vêm com duas palmilhas diferentes: uma totalmente plana e outra com uma ligeira inclinação entre o calcanhar e a ponta. Para te adaptares ao natural sem o choque de passar de repente para um calçado totalmente plano.
Em determinadas idades, o mais importante é que, quando chegares a uma pequena rampa, não tenhas de gritar: —Ouça, ouça! para que alguém te ajude a descer.
Sem dúvida.
A saúde começa nos teus pés.
— Antonio Caballo